IV Congresso Internacional de Tradução e Interpretação da Abrates

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Excelente oportunidade para encontrar colegas, fazer contatos e aprender!

O Congresso este ano será em Belo Horizonte e as “caravanas” já estão se formando. Vários “janeleiros” já estão confirmados como palestrantes, nada como poder ver ao vivo e poder interagir com as pessoa que costumamos só ler não é?

Não perca essa oportunidade!

http://www.congressoabrates.com.br

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Remando

Daniel Estill

Comecei a praticar o Stand Up Paddle há uns dois meses. Há tempos que tinha vontade de remar, mas sempre faltava a iniciativa. Até que um professor se instalou na praia do Flamengo para dar aulas e alugar as pranchas e ficou mais fácil. Fiz a primeira aula, com instruções básicas, e comecei. Tenho ido quase todo dia, chego cedo, entre 6h30 e 7h, remo por mais ou menos uma hora e lá pelas 9h, já estou sentadinho diante do computador para as remadas tradutórias.

Em geral, remo sozinho, assim como traduzo sozinho. Mas, sinto falta de companhia, até para poder remar para mais longe, assim como não dá para traduzir grandes projetos sozinho. Companhia é bom, colegas ajudam.

Em dois meses, já conheci algumas pessoas, em geral, neófitos como eu. Uns levam mais jeito, outros, menos. Hoje, sábado, saí para remar sozinho, estava meio desanimado, mas o mar estava bem liso, sem vento e lá fui eu. Remei, parei, fiquei boiando olhando a paisagem em volta, o Pão de Açúcar no fundo, o Cristo mais adiante, a ponte Rio-Niterói do outro lado. Nisso, vi um outro remador se aproximando. Remava forte, seguro, uma prancha bacana, aquele jeito de experiência que a gente, que está começando, logo olha com inveja e deseja para si. Que tradutor que está começando não olha a galera experiente, falando de projetos, ferramentas, clientes bons e ruins, e não pensa, “por que não eu?”.

O remador passou por mim, ao largo, nos encaramos, mas ele não parou. Tratei então de me por de pé e começar a remar, de longe, mas acompanhando. Tive que acelerar meu ritmo, cansar um pouquinho mais, mas acabamos nos encontrando lá na Urca. Trocamos algumas amabilidades, começamos a remar  na mesma direção. Vamos até ali? Vamos. Vamos até lá? Vamos. Fomos.

Encontramos remadores de caiaque. De canoa polinésia. Ele conhecia algumas pessoas, pois já fora remador de canoa também, me contou. Ah, que legal, eu disse, eu gostaria de experimentar. Ah, é? Vamos lá que te apresento. E assim foi. Fomos até a prainha da Urca, ele me apresentou o dono da canoa, que dá aulas e tem turmas. Remam longe, bem mais longe do que com a prancha de Stand Up. Remadas longas, um desejo meu. Trabalho de equipe, todo mundo junto, quando um cansa, o outro compensa, uns produzem mais, outros menos, mas no final, todos chegam. Não é diferente dos projetos de localização mais complicados que existem por aí. Mas para essas remadas mais longas, é preciso antes remar sozinho, é preciso mostrar que você sabe remar e chegar um pouquinho além, e chegar inteiro. É preciso saber se aproximar. São coisas que se aprendem, não dá para simplesmente chegar e dizer, “me leva nessa sua canoa aí”.

Tive uma relativa facilidade com esse esporte, mas não foi por um talento natural ou por inspiração divina. Ajudou muito eu ter velejado quando era moleque. Ajudou muito ter praticado natação ocasionalmente. Ajudou muito eu não ter medo do mar por já ter mergulhado aqui e ali. Não sou nenhum desportista radical, sou até bem sedentário, mas até que, essa experiência anterior, ainda que esporádica, está me ajudando bastante. Na tradução não é diferente. Não sou nenhum grande sucesso tradutório, mas consegui me estabelecer. Com o tempo, me aproximando das pessoas certas, fazendo as perguntas certas, observando quem sabia mais do que eu. Atualmente, não falta trabalho, assim como não falta mar onde remar.

Rocket science

Em algum momento da década de 90, um potencial cliente me chamou ao seu escritório para conversarmos sobre um grande projeto de tradução. Tratava-se de uma empresa de tecnologia de ponta, literalmente, rocket science. Estavam construindo uma malha de satélites de comunicação em torno da Terra para a comunicação telefônica. O rapaz que me chamou era novo na empresa e ficara encarregado de cuidar das traduções de uma enorme quantidade de manuais, lembro vagamente de um número como 700. Setecentos grossos manuais sobre lançamento, colocação em órbita e operação de satélites e suas respectivas bases de controle em uma rede mundial de telecomunicações.

O rapaz me entregou um dos manuais como amostra, com base no orçamento para aquele exemplar, faríamos uma projeção para o todo do projeto. Fiz a contagem de palavras por página — os manuais estavam impressos, não tínhamos acesso ao formato eletrônico — e cheguei a um valor digamos de dois mil e quinhentos reais, algo como uns mil e poucos dólares. A projeção para todo o projeto ficaria pois em algo da ordem de 1,75 milhão de reais, algo em torno de uns setecentos mil dólares hoje, em julho de 2009.

Para uma pequena agência de tradução, era uma cifra inimaginável. Mesmo dando o menor preço por palavra possível, era muito, mas muito dinheiro. Nossos olhos brilharam e começamos a sonhar. Sonho que durou pouco, obviamente.

Após o envio da proposta, silêncio, vários dias. Resposta alguma do cliente. “Claro”, pensamos, “trata-se de uma grande soma, é uma decisão demorada mesmo”. Uma semana se passou desde o envio da proposta, não dava para continuar esperando e liguei para o meu contato na empresa e a resposta foi mais surpreendente do que frustrante:

— A direção concluiu que sairia mais barato ensinar inglês aos técnicos do que traduzir os manuais.

Não sei quantos técnicos eram, não deviam ser tantos assim. Estavam montando a operação no Brasil, precisariam de gente capaz de operar os satélites que cobririam a nossa região, a instalação das bases ainda levaria algum tempo, viriam técnicos e executivos do exterior. Enfim, era um projeto de longo prazo. Será que daria tempo de ensinar inglês para um bando de engenheiros e técnicos de diferentes níveis em, digamos, dois anos, a ponto de estarem aptos a lidar com instruções complexas, terminologia altamente especializada e todo o aparato envolvido com a história? Deixo a questão aberta aos comentários que alguma alma generosa se disponha a fazer.

Um abraço.

PS. Se você não conhece a expressão rocket science, peça ao Ulisses um post no tecla sap 😉

Você sabe o que é declutter – Final

William Cassemiro

Vamos continuar a eliminar a bagunça do desktop?

O primeiro post sobre o assunto você encontra aqui.

A figura abaixo mostra a disposição e conexões do hub USB, da placa de som e do leitor de CD/DVD externos, vistos por baixo. Observe o prendedor de cabos, à  esquerda da imagem, usado para evitar que o cabo USB, que vem do computador, fique pendurado:

Como sou destro, deixei a área esquerda do desktop com recursos que não preciso usar com frequência, liberando o espaço do lado direito para o uso do mouse/trackpad.  O computador, um Mac Mini, para ocupar menos espaço, também ficou no lado esquerdo. Como você pode ver nessa imagem, se você também tem problemas em arrumar um lugar para colocar os fones de ouvido e tê-los sempre à mão, é fácil resolver isso com um suporte para toalhas, fácil de achar e baratinho.

Esconder a fiação em cima da mesa foi outra preocupação. Como o computador fica ali em cima, vários fios precisam chegar até lá. Solução: um HD externo  que fica na posição vertical, cobrindo a entrada dos fios pelo tampo da mesa e uma espécie de caixa de madeira, fácil de fazer, sob medida para encaixar atrás do Mac Mini:

Como podem ver, um hub USB com 7 portas, fixado em cima da caixa que esconde a fiação facilita a conexão de dispositivos.

O som do Mac Mini não é ruim, ainda mais se pensarmos que ele é praticamente um laptop, mas para melhorar e também diminuir a quantidade de fios, uso um conjunto de caixas Edifier R18USB. Essas caixas têm controle de volume e mute no cabo, que ficou atrás dos monitores. Isto não é problema pois os controles são feitos também no teclado, um Microsoft Confort Curve, que logo será trocado por outro igual, mas wireless.  Em vez de mouse, uso um Magic Trackpad da Apple, além de ser muito prático, é wireless.

Bom, foi assim que ficou meu desktop declutterizado:

 

 

Está tudo acessível, o que elimina a preguiça que bate de vez em quando de pegar “aquele dicionário”, “aquela gramática”.

Estico o braço direito: Agenor Soares, Isa Mara e os Lufts me ajudam…

…estico o esquerdo: Celso Cunha e o Tio Bechara dão uma mãozinha.

Antes que me esqueça: sim, é para eliminar a bagunça. Mas não ouse chamar meus carrinhos de bagunça! Afinal, a parte lúdica ajuda a deixar o ar mais leve.

Inté a próxima.

Ética

Ernesta Ganzo

A Denise Bottmann e o Danilo Nogueira escreveram algumas ponderações bem interessantes, (a leitura vale a pena), sobre a recente entrevista que o dono da Record, sr. Sergio Machado, prestou ao jornal Estado de São Paulo. Uma entrevista cuja leitura é dolorida para quem enxerga o livro não como um produto, mas como um amigo, um conforto, uma luz na escuridão que pode nos iluminar, alegrar, comover. É ainda mais dolorida para quem, (como o próprio entrevistado explica: “Só tem um motivo para uma pessoa não vender uma coisa: foi você que fez ou você tem uma relação especial com aquilo. Eu não tenho.”), está vendendo algo seu, uma parte de si, algo com o qual teve uma relação especial. Quebrou o encanto. O encanto de imaginar o editor como alguém que com afinco e dedicação procura nos proporcionar boas leituras. O encanto para com o editor amante dos bons livros e da literatura, esfregando na nossa cara uma triste realidade: a do editor preocupado tão somente com o lucro, do editor comerciante, vendedor.

Eu particularmente fiquei com sentimentos ambíguos, pois ainda que por um lado entenda perfeitamente que na sociedade hodierna tudo é movido pelo lucro, todos afinal querem é ganhar e ninguém faz mais nada pelo amor à arte, ainda que eu entenda isso, continuo, por outro lado, a ser uma inguaribile romantica, que se emociona quando se vê perante as belas obras que espíritos sensíveis conseguem produzir. E não falo tão somente do deleite que sinto em ler passagens de obras literárias não, falo também de pinturas, de música, de teatro, tudo o que o ser humano, ser sensível e criativo, consegue produzir. Assim como me emociona também um lindo por do sol e o sorriso puro de uma criança, o apego do nosso cachorrinho ou o de um gatinho “facendo le fusa” (ronronando).

E continuo achando também que triste seria se tudo se reduzisse ao dinheiro.  Continuo perseguindo o belo, pois é o belo que me traz felicidade, serenidade, paz, alegria, e medo, arrepio, insegurança, maravilha, incredulidade. O belo que me faz sentir. E assim posso viver. Viver e não tão somente acordar, trabalhar, me alimentar… mas viver… viver sentindo, me emocionando, seja qual for a emoção.

É inegável, já disse, que em geral ninguém mais faz algo pela gloria. Pode até fazer por pouco, o bastante para se sustentar, porque todos precisamos comer, se vestir, etc. e tal. Tem os que ainda ‘trabalhem’ por amor ao que fazem, mas em geral eles também precisam comer e se sustentar e, não adianta, por mais idealista que o artista seja, tem uma hora que a barriga fala mais alto. Ou tem outro trabalho que sustente a si e a sua arte ou se profissionaliza e entra na roda dos que acabam aceitando “popularizar” (leia-se vender mais) sua própria arte para poder viver.

Onde quero chegar com essa lábia toda? Onde é que o tradutor entra nessa conversa? Pois bem. O tradutor é um ser diferente. Tem a sorte de fazer o que gosta. Acredito eu que muitos dos que entraram para o mundo tradutório, de uma forma ou de outra, (excluindo aqui os que pousam por breves períodos, fazendo um bico aqui e acolá, mas que inevitavelmente – inevitavelmente, porque tradução não é para todos – são atraídos, ao longo do tempo, por outros rumos), gostam do que fazem. Gostam de pesquisar, de ler, de escrever, gostam da sua própria língua e de um texto bem escrito. São ávidos por conhecimento e quanto mais assuntos vierem para traduzir melhor. Tradutor é um ser interessante e interessado, afinal.

E ele também “popularizou” sua arte, sua predisposição pela pesquisa, pela escrita, se profissionalizou e vende um produto, sua tradução. Vende palavras. Palavras de outros, é verdade, mas que são suas também. Palavras que foram interpretadas, pensadas, traduzidas e dispostas de forma a transmitir a mensagem de outro à sua maneira. Os literários, os tradutores literários digo, vão querer me linchar (peço desculpa, mas a minha intenção não é ferir a sensibilidade de ninguém, tão somente de abrir um debate), de tanto horror que devem sentir quando alguém os compara a “meros” vendedores de palavras. E entendo perfeitamente. Pois, por mais que eu acredite que eles também estejam vendendo palavras, como já disse, sou uma inguaribile romantica e continuo achando (sinceramente) que para traduzir uma obra autoral precisa de algo a mais, precisa de uma sensibilidade e uma interação com o autor original da obra (feita através de leituras e pesquisas), precisa de tempos um pouco mais longos para conseguir dar às frases aquela entonação, aquele sabor que tanto nos emociona. Por mais que eu acredite em tudo isso, pelo andar da carruagem, pelo sistema que precisa continuar vendendo novos títulos com prazos apertados, sei que os tradutores literários também acabam tendo que trabalhar sob pressão, respeitando prazos desumanos para traduzir obras que, por vezes, de literário tem pouco ou nada. É o sistema. E o tradutor literário é que não escapa do sistema, porque ele também precisa comer. Eu não estou aqui me referindo ao professor ou literato que traduz “pelo amor à arte” (se é que isso ainda existe) um livro a cada sei lá quanto tempo. Este deve ter outro trabalho que o sustente, já disse isso também. Estou me referindo aos que sustentam seus filhos, pagam suas contas e custeiam tudo com o fruto do seu trabalho de tradução.

Mas chega de enrolação e vamos ao que interessa. A ética.

É ético alguém emprestar seu nome, vender a sua imagem, para que um produto venda mais? É o que fazem, por exemplo, os jogadores de futebol nas propagandas de tênis, induzir o eventual comprador do produto a acreditar que o produto é bom. Afinal se X usa aquele tênis (ele é campeão, não é?) então deve ser bom. Seria como se ele fosse um garantidor das qualidades do produto. Todos sabem que celebridade que faz propaganda está ganhando um cachê para fazer/dizer algo que induza o consumidor a comprar. Todos sabem que aquilo não passa de uma propaganda, mas no fundo fica a imagem lá do jogador campeão com o tênis no pé fazendo um belo de um gol. Muitos, menos afortunados, acreditam naquilo como fosse a verdade, associando o tênis ao sucesso. Enfim… não estou dizendo nada novo: vender a própria imagem para garantir que algo é bom não é ilícito. E no caso do Nelson Rodrigues (já disse que eu sou uma romântica), na dúvida, que nunca poderá ser sanada pois ele não está mais aqui para se defender, prefiro acreditar que de alguma forma ele estivesse pelo menos controlando (leia-se revisando o português, a entonação das frases, o intercalar dos períodos, etc.) o que ele estava se responsabilizando a assinar. Pode ser que não, provavelmente não, quase certo que não, mas para mim sempre vale o in dúbio pro réu.

O que mais me incomoda não é ele ter assinado traduções que nunca fez (contanto que ele tenha pelo menos revisado, e quem sabe reescrito passagens para dar algo seu na tradução – eu sei, sou romântica, é que não gosto de ver destruídos meus ídolos), assim como não me incomoda alguém trabalhar para lucrar, inclusive os editores, apesar de eu continuar romantizando-os (meu pai afinal era um editor, de uma editora pequena, é verdade, mas pur sempre uma editora – e pai da gente sempre é super herói, não é? Com seus defeitos, seus erros, mas super herói).

O que me incomoda não é só a falsidade ideológica (que ocorre com o registro falso na Biblioteca Nacional), pois afinal quem sou eu para julgar o quanto alguém está necessitado a ponto de se sujeitar a prática tão humilhante. Nelson Rodrigues pode até ter assinado traduções de outro, mas, neste caso, enxergo um hipossuficiente (dois aliás, Nelson Rodrigues e o verdadeiro autor da tradução) que se sujeita pela necessidade.

A editora, lado forte da relação, é que estaria usando da arte da propaganda sem avisar que propaganda era, por isso enganosa. Quer usar o nome de alguém renomado para vender mais, que seja. Peça-lhes para escrever uma prefacio e estampa lá na primeira página o nome dele: “Com a prefacio de Fulaninho”.

O que mais me incomoda mesmo, o que realmente me doeu é o preconceito. É alguém pensar, e devem ser muitos os que o fazem, que para lucrar, para ser negociante, comerciante, vendedor, não precisa ser ético. É o associar aos negócios uma “ética” que seria própria do comercio. Uma ‘forma mentis’ que permite tudo e que ainda se regozija quando consegue ludibriar os outros, achando aquilo um sinal de sucesso, motivo de gloria. Isso não é coisa de comerciante não, não é sinônimo de negociantes, vendedores. Tem nada a ver com eles, conosco, que também somos vendedores, se de um produto ou de um serviço tanto faz, sempre vendedores. É de pessoas de ética duvidosa, e só.

P.S. Só lamento que estamos aqui comentando o caso, falando de quem não está mais aqui para se defender ou justificar (mas que mesmo assim dá IBOPE, afinal é Nelson Rodrigues, não é?), fazendo o jogo da editora. The only thing worse than being talked about is not being talked about.

 

P.S. Desculpem pelo tratado, escrevi à noite e as palavras rolavam soltas 🙂

Tradução da beleza

Érika Lessa

Meninas, vamos falar de coisa boa? Vamos falar de Iogurteira coisas que nos fazem sentir melhor?

Quem me conhece mais de perto sabe que adoro maquiagem. Curto muito. Não sou escrava — daquelas que não vão comprar pão sem rímel e batom — mas percebo que, em algumas circunstâncias, estar “ajeitadinha” facilita. Não importa se é alguma ocasião de trabalho, uma festa, ou mesmo pra levantar o moral que anda meio acabrunhado: olhar para o espelho e gostar do que vê é uma delícia.

A natureza essa bandida nem sempre é muito legal com a gente, mas é possível contornar muitos de seus lapsos com pincel, corretivo e pó.

Ainda não tinha postado aqui por querer ter aquela sacada, aquele tema tradutório “uau!”, mas sempre tem quem me peça pra falar sobre isso. Então, por que não?

Não sou especialista, nem tenho paciência para testar tudo o que sai por aí e me dispor a escrever resenhas etc. Nem tenho competência para tal. Mas tem muita gente boa por aí fazendo isso, e pretendo dar o pontapé inicial na “transformação” de quem insiste em dizer que tem “duas mãos esquerdas”, mostrando o que sei, o que funciona para mim e onde busco informações e novidades. Dá pano pra manga, gola e bainha, né?

Vamos lá:

1. Maquiagem é treino.

Quanto mais você fizer, melhor conhecerá seu rosto, seus traços, o que fica bom ou não em você. Portanto, mãos à obra! Mas não vamos deixar pra treinar no dia daquele casamento loosho, neam? Passa primeiro aquele lápis puxadinho pra ir ao barzinho com o namorado, testa aquela mistura de sombras no aniversário de seu colega trabalho… Porque, se não der certo, basta tirar e pronto! Com o tempo, rola mais segurança e ousadia 😀

2. Você não precisa de todas as cores e pincéis disponíveis.

Quem já visitou blog de maquiagem, ou sites de empresas de cosméticos sabe que é de ficar tonta com tantas possibilidades. Mas você não precisa de todas aquelas cores, nem de todos aqueles pincéis, nem das melhores (e mais caras) marcas. Vamos com calma. Não adianta ter as ferramentas top de linha, se não tiver técnica e traquejo (assim como não adianta ter MemoQ, computador de última geração, se você nunca traduziu uma linha ;)). Portanto, não se afobe em jogar fora aquele kit de maquiagem paraguaio: ele pode ser bem útil nessa fase de “testes”.

3. Informe-se.

Veja o que o povo está fazendo por aí. Confira as novidades do mercado. Assine  blogs legais. “Ah, não tenho tempo!”. Tente outra desculpa, porque as blogueiras testam, dão seu parecer e você já vai certeira no que quer/precisa. Ou seja, acaba ganhando tempo. Se o quesito tempo é para a leitura dos blogs: seus problemas acabaram! Eles são ótimas companhias para salas de espera, engarrafamentos e afins.

Esses são alguns dos que gosto e acompanho:

  • http://www.2beauty.com.br/blog/ – Blog da Marina Smith. A moça é divertida, bem consciente da questão preço/qualidade e seus tutoriais são muito bonitos. Outra coisa que gosto muito: posts patrocinados são poucos e ela sempre avisa quando são — o que garante a imparcialidade sobre a qualidade dos produtos que testa e diz gostar ou não.
  • http://www.beautyblog.com.br/ – Blog da minha amiga Andrea Deds (oi, Deds :P) com algumas outras meninas. Elas testam diversos produtos de beleza (esmaltes, sombras, protetores etc.).
  • http://vogue.globo.com/diadebeaute/ – Também está dentro da lista de blogs de beleza (falando sobre tudo relacionado ao tema).

E aí? Pronta para começar?

O Livro Tem Dono!

Débora Isidoro

Pensando um pouco nas coisas que me perguntam pelo twitter e por aí, achei que seria legal contar um pouco sobre como é o processo de traduzir um livro que acaba atraindo mais atenção do público e da mídia. Vários colegas aqui têm experiências semelhantes, é claro, mas muita gente que lê o trabalho final acaba criando fantasias sobre o processo de tradução de uma obra como, sei lá, Harry Potter, ou A Saga Crepúsculo. Já vou logo avisando que não vou falar sobre nenhuma das duas séries, porque não as traduzi e não conheço as tradutoras. Na verdade, eu também queria saber como foi.

Traduzir um livro é, na minha opinião, tentar “receber o espírito” do autor, mesmo que ele ainda esteja vivo, e “psicografar” a mensagem que ele transmitiu no livro que escreveu. O que tem que mudar é o idioma. De resto, é nossa obrigação respeitar o original em conteúdo, estilo e essência. A obra continua tendo um proprietário, alguém que a criou, um pai ou uma mãe, mesmo que às vezes a gente a chame de “filhote” quando a vemos pronta em português.

Quando penso nas dificuldades que um tradutor literário encontra no exercício da profissão, a primeira coisa que me vem à cabeça é esse distanciamento, em como é difícil não se apoderar de um texto que é seu, porque você o está produzindo no seu idioma de chegada, mas não é seu, porque, na verdade, você o está conduzindo para outro idioma, não está criando nada. Essa dificuldade cresce exponencialmente quando é temperada pelo interesse da mídia e pela ansiedade do público. Não sei dizer exatamente quando me dei conta de que, apesar do nome na primeira página, às vezes até bem perto do nome do autor, eu era só mais uma cadeira na longa sequência de mesas e computadores da cadeia editorial. Confesso que ainda gosto de ouvir elogios e me envaideço com o resultado de um bom trabalho, mas dou o mesmo valor a todos os títulos, trato com a mesma seriedade um quase manual de cinquenta páginas e uma série que virou filme e continua sendo xodó dos leitores, porque, em última análise, aqui no meu escritório, todos entram pela porta da frente como visitas que são, e todos saem pela porta da frente para seguirem dois caminhos distintos, de volta para seus donos (os autores), e de ida para os leitores que precisam do nosso trabalho para poder ter acesso àquela obra.

Nenhum glamour. Só trabalho duro.

As ferramentas e os cursos

Daniel Estill

Há alguns anos, resolvemos oferecer um curso de Wordfast. Eu já era usuário fazia tempo, conhecia bem as manhas do programa, mas nunca tinha dado aula. Preparei os slides, a divulgação, marcamos a data e o curso bombou. Na época, tínhamos o escritório funcionando numa sala comercial, o que facilitou bastante. Foram algumas edições, com turmas de até 6 pessoas. Quase sempre enchia. Também dei aulas particulares, fui na casa de uns poucos alunos, alguns vieram na minha sala, ofereci aulas online. Sempre tem procura. Só que eu nunca assisti um curso de ferramenta de tradução na vida. Minto, assisti umas duas aulas de memoQ do Ricardo Souza na casa da Cláudia e do Roney Belhasof. Bem básicas, mas legais para pegar alguns macetes, embora eu já estivesse usando o programa há algum tempo. Na verdade, assisti as aulas do Ricardo com segundas intenções, queria ver como outras pessoas davam aulas também. Ele nunca soube disso e negarei minha verdadeira motivação até o fim! (Em tempo, ele é um ótimo professor)

Na verdade, sempre me perguntei por que as pessoas pagam para ter aula de ferramentas. Não tem manual? Não tem um monte de tutorial disponível na rede? No site do Wordfast, por exemplo, além dos manuais, tem tutorial em vídeo, apostila com exercício, knowledge base… Sem falar nas listas de discussão, onde a gente consegue tirar praticamente qualquer dúvida. Se eu aprendi desta forma, por que os outros não podem aprender também? Bom, tanto melhor que me paguem, mas fico sempre achando que poderiam guardar o dinheiro para outra coisa. Aliás, o Danilo Nogueira também fala mais ou menos isso. E acho que deve valer para a maioria do pessoal que dá aula de software em geral. Quando a gente aprende sozinho, acaba descobrindo muito mais coisa.

Bem, as respostas são muitas. Preguiça de ler o manual, dificuldade de uso do computador, oportunidade de interagir com outras pessoas. Já tive turmas em que acho que aprendi mais do que ensinei. Mas também já vi gente que queria aprender a usar um software e mal sabia navegar pelo Windows. Pessoas com muita dificuldade mesmo, que espero ter conseguido ajudar.

O problema principal, no entanto, é que muitas vezes as pessoas enfiam na cabeça que são mais burras do que realmente são (todos somos burros em alguma medida, não?). Daí a achar que não tem condição de aprender as coisas sozinhas é um passo. E então, o medo. Medo de fazer besteira, medo de travar o computador, medo. A tal da tecnofobia. Esse é o principal obstáculo. Se você fizer besteira tentando aprender a usar um software, tanto melhor. Dúvidas e problemas podem ser extremamente favoráveis ao aprendizado, não é mesmo? A gente faz a besteira, às vezes bem grande, perde arquivo, perde trabalho (quem nunca perdeu?), aí aprende primeiro que somos capazes de fazer grandes burradas e depois a consertá-las e então a não repeti-las. Foi assim que você aprendeu a andar, a escrever, a ler, a pedalar, a viver, enfim. Nossa, a gente aprende a fazer coisas muito mais difíceis na vida do que usar um programa de memória de tradução. É só uma questão de perder o medo de errar. Botar a mão na massa, tentar, fazer de novo, perguntar aos colegas. É possível e a gente aprende muito mais assim.

Claro que ser autodidata tem algumas desvantagens. Às vezes a gente leva horas para fazer algo que um professor nos ensina em segundos. As aulas podem ser uma maneira de se ganhar tempo, de fato, mas para realmente valer a pena, é legal chegar num curso de ferramentas pelo menos com a noção mais clara possível de quais são as nossas dúvidas e dificuldades. Ao menos sabendo do que se trata o programa, do que ele é capaz de fazer para nos ajudar. Instale uma demo, dê uma olhada no manual, dê uma boa olhada no site dos caras. Tente mexer um pouquinho no software. Não tenha medo, o planeta não entrará em colapso se você apertar um botão errado ou se apagar um arquivo por acidente. Se depois disso você ainda achar que precisa fazer um curso, certamente vai aproveitar muito mais do que se chegar lá sem ter a menor noção do que é aquilo, se só estiver lá por que seu cliente disse que você precisa aprender a usar esse o aquele software. O curso é para você, não para o seu cliente, muito menos para rechear o bolso do professor.

PS: Só não esqueça de fazer backup! (Você sabe fazer backup? Precisa de curso? ;))

Alemão da Alemanha, Áustria e Suíça

Moni Notton

A princípio, eu não queria postar nada referente ao idioma alemão e somente dar os meus pitacos por aqui, de vez em quando, mas hoje aproveito para dar um alerta: há diferenças entre o alemão da Alemanha e o alemão da Áustria e da Suíça.

Outro dia recebi um texto e no decorrer da tradução estranhei alguns termos. Foi quando eu percebi que o meu cliente é austríaco e não alemão.

O idioma alemão é falado não somente na Alemanha, mas também na Áustria, e na Suíça, onde é língua oficial (bem como em Liechtenstein, entre outros, mas isto não vem ao caso no momento).

Mesmo sendo o mesmo idioma há algumas diferenças, principalmente na fala, em decorrência de seus diversos dialetos, além das diferenças culturais óbvias entre os países.

Por sorte vivi no sul da Alemanha, não muito distante dos dois países e pude aproveitar o meu conhecimento, mas para aqueles que não estão familiarizados com as diferenças linguísticas, encontrei algumas listas/dicionários que apresentam as diferenças entre o alemão da Alemanha e o da Áustria e Suiça:

http://de.wikipedia.org/wiki/Liste_von_Austriazismen – austríaco

http://www.ostarrichi.org/- austríaco

http://www.oesterreichisch.net/woerterbuch-A-oesterreichisch.html – austríaco

http://de.wikipedia.org/wiki/Schweizerdeutsch – suíço

http://www.dialektwoerter.ch/ch/a.html – suiço

http://www.schwiiz.eu/schweiz_woerterbuch.php – suiço

Até mais!

It is alive!!!

Roney Belhassof

Uma alcateia de tradutores, intérpretes, tradutores de filmes e outros artífices da conexão entre povos e culturas tinha que ter um blog coletivo além do discreto Janelão no chat coletivo do Skype.

Esse é o nosso Frankenstein!