O cliente tem sempre razão…

Este é o lema do prestador de serviço: o cliente tem sempre razão. Ele pede, exige e a gente faz.

Mas às vezes o cliente é mal informado ou já foi passado para trás antes, então já chega para a gente meio abacaxi: difícil de descascar. E, por mais convincente que a gente seja, não há como demover a ideia de que é tudo a mesma coisa ou, para citar o livro excelente do Umberto Eco sobre tradução, Quase a mesma coisa.

Explique para um cliente que CAT Tool e MT não são a mesma coisa. Tente enfiar na cabeça dele que você trabalha com uma ferramenta que facilita seu serviço e ainda confere consistência terminológica, mantém a formatação do jeitinho que ele mandou. Às vezes, as duas partes não falam a mesma língua. Muitas vezes, literalmente. E o cliente pede, encarecidamente, para que você não use a tal ferramenta milagrosa, pois antes já fizeram para ele um trabalho no Google Translate e a formatação foi para o brejo.

Silêncio profundo para aquela respirada antes do ataque apoplético.

Ou o cliente pede, estritamente, AQUELA ferramenta que é cara, complicada de usar e que fica muito aquém da sua ferramenta mais em conta, ágil e com um serviço de atendimento ao cliente impecável, rapidíssimo, mesmo estando às margens do Danúbio. O que fazer?

Trabalhe do seu jeito. Use, se possível, a ferramenta com a qual você se adapta melhor. Mas respeite o cliente, entregue o trabalho do jeitinho que ele pediu. Ele tem sempre razão e, por isso, deve receber seu melhor serviço, sempre. Agora, o que você vai fazer com o texto dele durante a sua labuta é problema seu (e total responsabilidade sua).

E antes que eu me esqueça: para ótimas dicas sobre a relação tradutor e cliente, não deixem de visitar o Translation Client Zone, da Bianca Bold.

Abraço!

Aproveite melhor sua CAT tool

William Cassemiro

Toda CAT tool tem, ou deveria ter, diversos recursos par facilitar e acelerar o trabalho do tradutor. Os dois principais recursos que todos usamos são as memórias (TMs), que além de ajudarem com as repetições, também ajudam com os fuzzy matches, e os glossários (TBs), que ajudam a manter os termos adequados para cada tradução. Com relação a estes dois recursos, geralmente, não temos dúvidas e sabemos como usá-los razoavelmente bem.

Mas não seria interessante usar outros recursos dessas ferramentas que a maioria acha muito caras? Certamente, se você aprender a usar alguns destes recursos, sua produção aumentará razoavelmente, o que fará com que o fator custo seja visto com outros olhos.

Invista algum tempo para aprender a usar melhor sua CAT tool preferida. A minha, e da maioria do pessoal do Janelão, é o memoQ. Então, aqui vai uma dica de uso para um recurso do memoQ pouco conhecido da maioria dos tradutores com quem conversei: as AutoCorrect lists.

Em muitos documentos que traduzo, aparecem indicações como 1Q2011, 2S2013, 2H2019. Como a maioria de vocês já sabe, o “1Q” indica o primeiro trimestre do ano. O “2S” e também o “2H” indicam o segundo semestre do ano. Como são usados para diversos anos, não é viável criar uma entrada no TB para cada um, ou seja, registrar que 1Q2011 = primeiro semestre de 2011; 1Q2012 = primeiro semestre de 2012; 1Q2013… Uma boa opção é criar uma entrada na lista de autocorreção que permita agilizar a digitação quando estes termos aparecerem.

A primeira coisa a fazer, é analisar o que pode ser mantido ao traduzir este tipo de notação. No exemplo, toda vez que aparecer um “1Q”, a tradução será “primeiro trimestre de”, um “2Q”, será “segundo trimestre de”. Para “3Q” e “4Q” a ideia é a mesma. Quando surgir um “1S” ou “1H”, a tradução será “primeiro semestre de”, e um “2S” ou “2H” será traduzido como “segundo semestre de”.  Assim, fica fácil criar entradas na AutoCorrect list do memoQ para que você não precise digitar tudo isto sempre que aparecer uma informação neste formato.

Vamos lá:

Clique em Tools, Options. Em Default resources, selecione AutoCorrect lists. É o último ícone à direita:

Clique em Create new, na parte de baixo da janela e dê um nome para sua lista.

Depois de criar, clique em Edit. Será exibida esta janela:

No campo Replace, digite “1Q”. No campo With, digite “primeiro trimestre de” (ambos sem as aspas!) e clique em Add. Repita a operação para os outros itens (2Q, 3Q, 4Q, 1S, 1H, 2S e 2H).

Clique em OK e depois, na janela Options, selecione Portuguese e marque a regra criada. Clique em OK para fechar esta janela.

Pronto. Agora é só abrir um documento e digitar “1Q” para que imediatamente após você clicar na barra de espaço o memoQ substitua por “primeiro semestre de”.

Não facilita muito o trabalho de digitação? Este foi só um exemplo simples, certamente você já pensou em outras situações onde as AutoCorrect lists serão muito úteis.

Se você já usa este recurso no Word, uma boa notícia: no site da Val, ela ensina direitinho como fazer para importar sua lista de autocorreções do Word para o memoQ. Dê uma olhadinha aqui.

Se você tiver alguma dica de como usar outros recursos do memoQ ou de qualquer outra ferramenta, compartilhe com a gente.

Inté a próxima.

Você sabe o que é declutter – Final

William Cassemiro

Vamos continuar a eliminar a bagunça do desktop?

O primeiro post sobre o assunto você encontra aqui.

A figura abaixo mostra a disposição e conexões do hub USB, da placa de som e do leitor de CD/DVD externos, vistos por baixo. Observe o prendedor de cabos, à  esquerda da imagem, usado para evitar que o cabo USB, que vem do computador, fique pendurado:

Como sou destro, deixei a área esquerda do desktop com recursos que não preciso usar com frequência, liberando o espaço do lado direito para o uso do mouse/trackpad.  O computador, um Mac Mini, para ocupar menos espaço, também ficou no lado esquerdo. Como você pode ver nessa imagem, se você também tem problemas em arrumar um lugar para colocar os fones de ouvido e tê-los sempre à mão, é fácil resolver isso com um suporte para toalhas, fácil de achar e baratinho.

Esconder a fiação em cima da mesa foi outra preocupação. Como o computador fica ali em cima, vários fios precisam chegar até lá. Solução: um HD externo  que fica na posição vertical, cobrindo a entrada dos fios pelo tampo da mesa e uma espécie de caixa de madeira, fácil de fazer, sob medida para encaixar atrás do Mac Mini:

Como podem ver, um hub USB com 7 portas, fixado em cima da caixa que esconde a fiação facilita a conexão de dispositivos.

O som do Mac Mini não é ruim, ainda mais se pensarmos que ele é praticamente um laptop, mas para melhorar e também diminuir a quantidade de fios, uso um conjunto de caixas Edifier R18USB. Essas caixas têm controle de volume e mute no cabo, que ficou atrás dos monitores. Isto não é problema pois os controles são feitos também no teclado, um Microsoft Confort Curve, que logo será trocado por outro igual, mas wireless.  Em vez de mouse, uso um Magic Trackpad da Apple, além de ser muito prático, é wireless.

Bom, foi assim que ficou meu desktop declutterizado:

 

 

Está tudo acessível, o que elimina a preguiça que bate de vez em quando de pegar “aquele dicionário”, “aquela gramática”.

Estico o braço direito: Agenor Soares, Isa Mara e os Lufts me ajudam…

…estico o esquerdo: Celso Cunha e o Tio Bechara dão uma mãozinha.

Antes que me esqueça: sim, é para eliminar a bagunça. Mas não ouse chamar meus carrinhos de bagunça! Afinal, a parte lúdica ajuda a deixar o ar mais leve.

Inté a próxima.

4 formas para usar o Dropbox

Val Ivonica

Você conhece o Dropbox?

É um sistema de backup e sincronização online de arquivos. Ao fazer o cadastro, você recebe 2 GB para armazenar seus arquivos, com a possibilidade aumentar esse espaço gratuitamente indicando o serviço para os amigos. Pode também assinar uma das versões pagas, que dão direito a 50 GB ou 100 GB.

Depois de sincronizar e configurar o aplicativo, todos as pastas e arquivos selecionados são sincronizados continuamente com o disco virtual. Qualquer alteração é imediatamente sincronizada com “a nuvem”. Você pode instalar o aplicativo em outros computadores (Windows, Mac ou Linux) para manter os arquivos sincronizados. É uma maneira prática de manter os arquivos do desktop e do laptop sincronizados, por exemplo. Pode também acessar os arquivos em celulares (iPhone, Android e Blackberry) e no iPad. Basta instalar o app correspondente.

Mas este é só o primeiro uso para o Dropbox. Você também pode:

  • Acessar versões mais antigas de arquivos. Muito, mas muito útil quando algum arquivo corrompe ou é apagado por engano. Acesse o site, localize a pasta e clique com o botão direito sobre o arquivo (ou mesmo pasta) desejado. Se o arquivo tiver sido excluído, use a opção Show deleted files, depois clique com o botão direito no arquivo desejado e selecione Restore. Para recuperar o arquivo corrompido, selecione Previous versions. Também é possível acessar as versões anteriores de um arquivo a partir do Finder (no Mac) ou do Windows Explorer (ver imagem abaixo).
  • Compartilhar pastas. Uso bastante para trocar arquivos com clientes e colegas durante projetos. Em vez do troca-troca de arquivos (às vezes pesados) por e-mail, coloco os arquivos na pasta compartilhada com o cliente/colega. Na mesma hora, o arquivo vai começar a ser transmitido para a nuvem e, de lá, para a pasta correspondente no computador do cliente.
  • Enviar arquivos individuais sem compartilhar pasta. O que fazer quando você precisa enviar um arquivo grande, que ultrapassa o limite para envio por e-mail? Pode enviar pelo YouSendIt, por exemplo, como já fiz muitas vezes. Mas agora também pode colocá-lo no Dropbox, depois clicar nele com o botão direito e selecionar Dropbox, depois Get Link. * A imagem acima é de um menu contextual do Mac. O do Windows é semelhante, mas o do Mac é mais bonitinho. 🙂

Também é possível obter o link para compartilhar o arquivo pelo site: O link será enviado para a área de transferência e pode ser colado (Control V) em qualquer tipo de mensagem. O destinatário só precisa clicar no link para fazer o download do arquivo.

Até semana passada, a única maneira de usar um link para download dessa forma era colocando o arquivo na pasta Public. Só que, em tese, os arquivos que estão nessa pasta são públicos. Qualquer pessoa com o link pode acessá-los. Isso está explícito no site do Dropbox:

Any file you want to share with the world should be kept in your Public folder. All files stored there have a public link and anyone who has that link can access your file from anywhere.

It is possible, however unlikely, that someone could guess your link if they knew the file name. It is also possible someone who has the link can share it with others or the link could appear on a search engine or other site. If you want to stop sharing a file publicly, all you need to do is move the file out of your Public folder. Once outside of the Public folder, any previous public links to the file will no longer work.

Assim, a alteração que fizeram semana passada, permitindo usar links para baixar arquivos de qualquer pasta do Dropbox, aumentou razoavelmente a segurança para esses arquivos (porque não precisam mais ficar na pasta pública enquanto aguardam download).

Gostou do Dropbox? Quer experimentar? Então clique aqui e ajude a aumentar meu espaço no disco virtual!