Modos na cabine!

Assistido despretensiosamente, o vídeo abaixo pode parecer uma comédia, uma sátira, um exagero. Mas quem tem algum tempinho de estrada em cabine vai reconhecer a maioria desses comportamentos, até em si mesmo (!!!). Coisas que parecem inofensivas mas que na realidade incomodam muito quem está ouvindo.

Não deixe de compartilhar caso tenha alguma história engraçada sobre isso!!

Denise Bottmann fala de teoria e prática da tradução em aula inaugural na UFSC

“Quando Monsieur Jourdain descobre que fala em prosa: comentários sobre o difícil trânsito entre dois campos separados e mutuamente irredutíveis, a teoria e a prática da tradução”, aula inaugural apresentada na Pós-Graduação em Estudos da Tradução da Universidade Federal de Santa Catarina, a cargo da querida Denise Bottmann, já está disponível no site da própria PGET: http://www.pget.ufsc.br/curso/realizacoes.php?id=206

A aula provoca desde o início uma reflexão sobre o papel da teoria da tradução na própria prática da tradução, em específico na tradução autoral. Será que a teoria engessa a prática? Será que pode tornar os tradutores futuros “Jourdains” da tradução? Afinal o burguês Mounsieur Jourdain de Mouliere já falava em prosa, mesmo não sabendo que o fazia. Tentar aprimorar a própria prosa usando uma linguagem mais rebuscada, simplesmente tornaria a fala artificial e afetada, ou em outras palavras, ridícula.

Os que traduzem intuitivamente, assim como Mounsieur Jordain, ignoram os mecanismos que estão sendo mobilizados, mas atingem o próprio instrumental, sua própria bagagem cultural, os sistemas linguísticos utilizados, as “leituras comparativas, os dicionários, as pesquisas literárias, os diferentes estilos” e as várias figuras de linguagens para escrever sua tradução. Eles utilizam seu instrumental, conhecem bem suas ferramentas, mas usam os mecanismos mobilizados para o uso deste instrumental de forma intuitiva. Será que conhecer estes mecanismos já utilizados intuitivamente os aperfeiçoa ou os torna engessados? Será que conhecê-los os torna controlados demais e bloqueia a espontaneidade do tradutor? Qual será o ponto de equilíbrio? Será então que traduzir é uma arte inata? Será que já nascemos com esta aptidão, com este talento, esta capacidade de captar o que foi escrito pelo autor?

E ainda, qual o melhor caminho a seguir para ser um tradutor? Ou ainda, para ser um bom tradutor? Quais os pré-requisitos para ser um tradutor? E para ingressar em um curso de pós-graduação em tradução? O que um curso de pós-graduação em tradução deveria oferecer a seus alunos? Como fazer com que o aluno mobilize corretamente seu instrumental?
Tradutor gosta de ler e o faz desde pequeno. Difícil alguém ser tradutor sem ter prazer pela leitura. Difícil conseguir traduzir e produzir bons textos na própria língua sem ter uma considerável bagagem de leitura anterior. Imprescindível dominar a própria língua de antemão. Não é concebível que alguém que pretenda ser tradutor desconheça normas gramaticais, de sintaxe, fíguras de linguagem. O que fazer, então, para ensinar a traduzir ou melhorar a atividade tradutória dos alunos? Oficinas. Nada como a prática afinal!
Uma bela mensagem da Denise Bottmann aos jovens que ingressam neste mundo: utilizem sua “capacidade de dedicação plena”, seu “coração de trabalho”, dediquem-se.
Mas já escrevi demais, melhor vocês ouvirem a aula magistral da Denise com seus próprios ouvidos.

http://www.pget.ufsc.br/curso/realizacoes.php?id=206