Cuide bem da sua vitrine

Começo este post com uma metáfora que é considerada comum por muitos tradutores, mas ignorada por vários outros: a internet é nossa vitrine. Você já deve ter lido e ouvido muitos de nós afirmar que a internet e as mídias sociais são ótimos recursos que promovem a interação, o networking, a captação de clientes, etc. Mas fique atento: também é muito fácil se queimar.

O que não fazer na internet?

Eis uma listinha de atitudes que, a meu ver, não ajudam na construção da sua imagem profissional; só somam pontos negativos. A lista não segue uma sequência especial e – acredite se quiser – foi inspirada em situações que já presenciei ao longo de meia década de interação on-line intensa:

  1. Reclamar de falta de trabalho
  2. Reclamar de falta de dinheiro para comprar ferramenta X, Y ou Z
  3. Perguntar onde pode achar uma versão pirata do software X, Y ou Z
  4. Afirmar que decidiu comprar a licença do software X (aê, ponto positivo!), mas que vai dividir a licença com um colega – o velho jeitinho brasileiro (isso seria algo como “meia pirataria”?)
  5. Reclamar do preço de uma conferência, seminário, curso, etc.
  6. Fazer perguntas facilmente resolvidas com uma pesquisa rápida
  7. Fazer perguntas que demonstram sua total falta de noção sobre o mercado e as boas práticas (tipo “Aceitar um projeto que envolve traduzir dezenas de milhares de palavras em pouco mais de dois dias é normal?”)
  8. Afirmar que aceitou o projeto acima
  9. Afirmar que cobra tarifas baixíssimas e vive dando descontos
  10. Dar a entender que você não lê ou segue instruções, por exemplo, quando alguém anuncia uma vaga de emprego e pede que enviem o CV por e-mail, e você vai lá e dá seu e-mail; ou, em fóruns, quando pedem que sempre informem o contexto, e você continua fazendo várias perguntas sem contextualizar; ou, ainda, você tenta vender seu peixe num fórum cujas regras claramente proíbem propaganda; e por aí vai…

E o que fazer?

Além de evitar a lista acima, antes de escrever em qualquer ambiente virtual (seja uma opinião num fórum de discussão, mesmo que aparentemente fechado e privado, um comentário ou post em um blog, ou até mesmo um simples tweet ou atualização de status do Facebook), pergunte a si mesmo se gostaria que essas informações saíssem numa manchete de jornal ou fossem lidas por um cliente potencial. Pois é, parece exagero, mas é quase a mesma coisa. Lembre-se de que não temos controle sobre o destino de nada que jogamos na imensidão da internet, e muito menos sobre os possíveis leitores.

Entre outras coisas legais, colaborar para tirar dúvidas dos colegas, escrever com atenção à ortografia, gramática, coesão e coerência, fazer perguntas inteligentes e bem contextualizadas, manter um blog e um site interessantes, saber manter uma postura profissional e equilibrada mesmo quando uma criatura totalmente sem noção invade nosso espaço, tudo isso soma pontos a seu favor.

Os resultados

Já perdi as contas de quantas oportunidades ótimas surgiram porque (quase) sempre cuidei bem da minha vitrine, da minha imagem virtual. Não falo apenas de clientes diretos que me acharam online, mas de parcerias incríveis que vivem me aparecendo (até minha sócia, a Carol Alfaro, conheci primeiro na internet), recomendações de colegas (tanto tradutores quanto PMs) que geram fluxo de trabalho constante, e dos vários amigos que conquisto e que me conquistam ano após ano.

Eu certamente não estaria onde estou, pessoal e profissionalmente, se não fosse pelos benefícios que colhi, pelos contatos que fiz, pela atenção que tenho dado à interação virtual com colegas e pelos cuidados com o que publico em sites, blogs e fóruns.

Para fechar…

Se você ainda não leu a matéria Profissionais conectados, da edição especial da revista Língua Portuguesa de abril de 2012, recomendo muitíssimo. Vários de nós demos entrevistas e dicas sobre o assunto.

Agora quero jogar a bola para vocês, pois minha lista está longe de ser completa: o que mais poderíamos acrescentar?

Ah, e eu gostaria de ter justificado cada um dos itens que pus na lista acima, mas isso deixaria o texto longo demais. Prefiro bater um papo na seção de comentários com quem estiver a fim. 🙂

* * *

Bianca Bold é tradutora, intérprete, revisora, treinadora, legendadora, blogueira, mestranda, salseira/forrozeira/etc. e mãe da puggle mais linda do mundo. Se quiser mais informações, visite www.biancabold.com e www.translationclientzone.com.

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9 comentários em “Cuide bem da sua vitrine

  1. Ler o e-mail, as instruções é importantíssimo, ou seja, é importante trabalhar a ansiedade, ou a resposta não vai dar certo. 😀
    Obrigada, Bianca, boas reflexões.

  2. Estou há meses para escrever um artigo assim, Bianca. Você me poupou o trabalho, porque realmente abrangeu tudo que eu gostaria de ter escrito! Eu acrescentaria, para os iniciantes, algo que disse na minha palestra no ProZ: iniciante não é sinônimo de amador. Você é um profissional em início de carreira, e deve se comportar como tal. Então, o fato de ser iniciante não justifica se comportar de maneira leviana, seja nas redes sociais, seja nos encontros presenciais. Começar da maneira certa é tudo!

  3. Sim, Lorena e Malu, concordo 100% com vocês duas. 😉 Que bom que gostaram!

    Lorena, talvez depois você possa escrever uma continuação deste artigo lá no AP desenvolvendo um pouco os tópicos que serão levantados aqui nos comentários. 🙂

  4. Discordo de 5). Se são mesmo caras, temos mais é que falar. Ou qualquer valor é justo?

    11) Falar mal do livro que está traduzindo no twitter ou blog.
    12) Debochar de tradução de colegas no twitter (em geral, o único motivo disso é se vangloriar.)

  5. Oi Bianca,
    Não sou tradutora mas aprendo muito com vocês, acompanhando seu blog, do Danilo, da Lorena e outros, além de ler tudo o que vocês escrevem no grupo do Orkut (sim, ainda passo por lá de vez em quando) e no Facebook.
    Como você pediu sugestões, vou dar a minha, que se refere aos blogs. Vejo muito descaso com a seção de comentários. A pessoa escreve uma matéria ótima, interessantíssima, deixa aberta a seção de comentários e… nunca os lê, muito menos responde as perguntas que lhe são feitas pelos seus leitores! Acho isso muito descaso e que reflete uma postura de irresponsabilidade. Eu não teria confiança para contratar um profissional que age dessa maneira.
    Bem, é isso. Muito obrigada pelo espaço.
    Um abraço,
    Sílvia

  6. Obrigada pela visita e pelos comentários, Silvia e Roberto!

    >Roberto, acho que meu item 5 não está contextualizado o suficiente. Vamos lá… 🙂

    Concordo que se uma ferramenta custa 2 mil dólares, é normal que tradutores reclamem. Mas o que vem acontecendo (e MUITO) é que umas pessoas assumem uma postura de “coitadinhos” e reclamam repetitivamente de preços de ferramentas que melhoram (e MUITO) a produtividade e que estão no mercado por preços perfeitamente aceitáveis, coisa que se paga num primeiro projeto, sabe? É desses casos que estou falando.

    São essas mesmas pessoas que costumam reclamar em público de conferências, cursos, etc., independentemente dos preços, com a mesma postura de coitatinhas, de pobrezinhas.

    A questão de “valor justo” para um evento é bem delicada. Se um tradutor experiente consegue ganhar uma quantia hipotética de R$200 por hora com seus serviços no dia a dia, quanto você acha que vale a hora dele se for dar um curso? E o tempo que ele gastou pra preparar os materiais? E, o mais importante, como dá pra colocar um preço específico no aproveitamento dos alunos/participantes?

    Eu, por exemplo, todos os anos gasto mais do que eu gostaria para ir à conferência da ATA nos EUA, mas, sinceramente, todos os ganhos diretos e indiretos não têm preço. Saio lucrando sempre. Se um ano destes eu não tiver condiçõe$ de ir, não vou sair reclamando publicamente por aí, porque não é a imagem que quero passar para meus colegas, clientes, leitores, etc.

    Há sempre a questão importantíssima do investimento profissional. Essas pessoas coitadinhas/pobrezinhas reclamam, reclamam, reclamam e não crescem na profissão (ou demoram muito para crescer) porque não investem em ferramentas nem em oportunidades de qualificação/especialização. Sem falar que mancham mesmo sua imagem por causa dessas atitudes.

    Também acho que reclamar a torto e a direito não produz muito efeito. Em vez de gastar seu tempo reclamando para quem não tem nada a ver com a organização, por que não enviar um e-mail *educado* à instuição ou ao profissional que está oferecendo o curso?

    Espero ter esclarecido um pouco mais. 🙂

    >Silvia, que legal que você nos acompanha e gosta de nossas discussões! Acho que muito do que eu e meus colegas tradutores falamos vale também pra revisores e outros freelancers.

    Concordo com sua opinião sobre blogs. Se um blogueiro não tem paciência ou tempo para interagir com seus leitores, o melhor que tem a fazer é fechar a seção de comentários, não é?

  7. Olá. Não sei se você já publicou também uma lista das atitudes certas, principalmente em relação aos clientes (agências). Isto seria interessante para muitos.

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