O cliente tem sempre razão…

Este é o lema do prestador de serviço: o cliente tem sempre razão. Ele pede, exige e a gente faz.

Mas às vezes o cliente é mal informado ou já foi passado para trás antes, então já chega para a gente meio abacaxi: difícil de descascar. E, por mais convincente que a gente seja, não há como demover a ideia de que é tudo a mesma coisa ou, para citar o livro excelente do Umberto Eco sobre tradução, Quase a mesma coisa.

Explique para um cliente que CAT Tool e MT não são a mesma coisa. Tente enfiar na cabeça dele que você trabalha com uma ferramenta que facilita seu serviço e ainda confere consistência terminológica, mantém a formatação do jeitinho que ele mandou. Às vezes, as duas partes não falam a mesma língua. Muitas vezes, literalmente. E o cliente pede, encarecidamente, para que você não use a tal ferramenta milagrosa, pois antes já fizeram para ele um trabalho no Google Translate e a formatação foi para o brejo.

Silêncio profundo para aquela respirada antes do ataque apoplético.

Ou o cliente pede, estritamente, AQUELA ferramenta que é cara, complicada de usar e que fica muito aquém da sua ferramenta mais em conta, ágil e com um serviço de atendimento ao cliente impecável, rapidíssimo, mesmo estando às margens do Danúbio. O que fazer?

Trabalhe do seu jeito. Use, se possível, a ferramenta com a qual você se adapta melhor. Mas respeite o cliente, entregue o trabalho do jeitinho que ele pediu. Ele tem sempre razão e, por isso, deve receber seu melhor serviço, sempre. Agora, o que você vai fazer com o texto dele durante a sua labuta é problema seu (e total responsabilidade sua).

E antes que eu me esqueça: para ótimas dicas sobre a relação tradutor e cliente, não deixem de visitar o Translation Client Zone, da Bianca Bold.

Abraço!

Anúncios

Um comentário em “O cliente tem sempre razão…

  1. Muito legal o texto, Petê. Cheio de verdades. Nem sempre é fácil mesmo, mas se não nos esforçarmos para educar os clientes (que é para o nosso próprio bem), quem o fará?

    Lembro uns meses atrás quando um cliente que tinha me contratado para transcrições me pediu contatos de tradutores sueco-inglês para traduzir um livro e, depois, me disse: “Puts, não sabia que tradução era tão cara! Queriam me cobrar 10 mil dólares pelo livro! Por que pagar isso tudo se o Google Translate faz de graça?” ***respira fundo***

    Parênteses: ele é um quiropraxista dos bons, que cobra no mínimo 80 dólares por consulta, que geralmente varia de 10 a 30 minutos.

    Até hoje me fico meio chateada quando lembro que não tive tempo pra dar uma resposta à altura por falta de tempo. Estávamos no consultório, e ele teve que ir atender alguém logo depois de soltar a bomba. Mas acho que consegui, em poucos segundos, plantar a sementinha da dúvida e dizer que a melhor forma de ter uma ideia da qualidade da tradução seria testando a ferramenta com trechos para o inglês. Aí ele veria o tamanho do abacaxi (e ele ainda reconheceu que NUNCA tinha experimentado o GT!). Imagina, um livro inteiro no GT?! Não falei mais com ele depois disso, mas fiquei curiosa pra saber o desenrolar da história.

    E muito obrigada pela referência ao meu blog! 🙂 Ainda pretendo escrever uma série de posts sobre as diferenças básicas entre CAT e MT, com explicações simples, tentando falar a língua dos clientes. Volto aqui depois para compartilhar o(s) link(s).

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s